Quarta-feira, Março 19, 2008

Eu sou...

Eu sou um pouco de cada canção que gosto
Eu sou um pedaço da comida que gosto do gosto
Sou um pouco da alegria que me anima
Sou um pouco de contrário e um pouco de oposto

Sou um pouco do sucesso que foge de mim
Sou um pouco da tristeza que a vida me deixou
Sou um pouco de tudo que me deixa um tanto assim
Sou um pouco de tudo que um dia foi e se acabou

Sou um pouco daquilo que esperam
Sou um pouco de tudo o que desejo
Sou um pouco de dor e de analgésico
Sou um pouco mulato, um pouco índio, um pouco negro

Sou o oposto que às vezes nada atrai
Sou o igual, só que um pouco diferente
Na minha vida não sou o papel principal
Mas sigo a saga sempre seguindo em frente.
Eu vejo aqui as pessoas mais fortes e inteligentes.
Vejo todo esse potencial desperdiçado.
A propaganda põe a gente pra correr atrás de carros e roupas.
Trabalhar em empregos que odiamos para comprar merdas inúteis.
Somos uma geração sem peso na história.
Sem propósito ou lugar.
Nós não temos uma Guerra Mundial.
Nós não temos uma Grande Depressão.
Nossa Guerra é a espiritual.
Nossa Depressão, são nossas vidas.
Fomos criados através da tv para acreditar que um dia seriamos milionários, estrelas do cinema ou astros do rock.
Mas não somos.
Aos poucos tomamos consciência do fato.
E estamos muito, muito putos.

Você não é o seu emprego.
Nem quanto ganha ou quanto dinheiro tem no banco.
Nem o carro que dirige.
Nem o que tem dentro da sua carteira.
Nem a porra do uniforme que veste.
Você é a merda ambulante do Mundo que faz tudo pra chamar a atenção.

Nós não somos especiais.
Nós não somos uma beleza única.
Nós somos da mesma matéria orgânica podre, como todo mundo.